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depois de amanhã
I´m in love. I mean love.
O dia seguinte ao dia seguinte é ótimo. Porque se você foi ao inferno e ficou trocando figurinhas com o diabo da sua cabeça, quando isso acaba toda sensação é boa. A tendência ao equilíbrio, enfim. E a urgência de escrever, de elaborar o sentido do que foi desnecessário. Mas não era para escrever. O computador não funcionou uma, duas, várias vezes. Não que os cadernos e blocos não possam ser usados, mas exceto quando estou viajando eu prefiro direto a tela fria e branca à minha letra sem pauta. Uma redação de jornal me ensinou a pensar assim. A menina da assistência demorou 45 minutos para fazer um cadastro e abrir uma OS e não conseguiu porque o computador dela estava dando pau. E daí é engraçado como o mundo inteiro parece estar na sua. No restaurante, o moço também estava com problemas com seu computador e até desejamos boa sorte para ele ao sair. Para mim (e para eles), ontem não era dia de computador. Melhor assim, o difícil é aplacar a minha ansiedade de escrever qualquer coisa. Mas era dia de Louie, Louie, de todas do Skank no último volume, de dar tchau pros vizinhos novos e dançar na sala. De bater papo com os meus iguais, aqueles que me julgam só um pouquinho, que me perguntam quando acabará afinal essa adolescência e que me contam histórias sempre mais cabeludas que as minhas, o que dá um tremendo conforto psicológico. Até quando vamos seguir assim, não sei, mas temos o tempo a nosso favor quando fazemos cagadas e contra a gente quando chega o horário de verão. De repente tudo fica muito tarde.
Etiquetas: selvagens egotrip
oferenda
Sim, eu gostaria de oferecer a você, moço sem perspectivas, que tanto se agoniza e reclama de si e dos outros, que se esconde atrás de pretensão e posição, a você, uma viagem de barco pelos rios amazônicos, dormindo em rede, vendo a beleza da naturaleza e a tristeza da pobreza, conversando com gente que sabe trançar, pescar, amar e se defender bem melhor do que você.
E oferecer a você, mocinha tão cheia de dotes e frufrus, entediada por sua futilidade, malogrando a falta do amor-perfeito, uma semana em uma chapada, dormindo ao relento, sem direito a banheiro e secador, convivendo com matutos que, diferente de você, princess, sabem a trilha da ida e da volta.
E a você, que andou se traindo e aos outros também, eu ofereço a chance de um dia, quem sabe, ser quem você realmente imagina que é.Etiquetas: selvagens egotrip
sep tiem bre infierno
Todo setembro é todo ressaca. Não me venham com essa de que não existe inferno astral. Efeito placebo ou não, o fato é que setembro é o mês em eu viro um frango de televisão e fico rodando sem chegar a lugar algum. Primeiro, essa coisa de fim de ciclo dá uma nostalgia incontrolável. Não tenho a maturidade de fazer aquele checkpoint da vida e definir os próximos passos. Se até aqui vivi assim, sem saber exatamente para onde estava indo (mas indo), é assim que devo seguir pelos próximos anos. Sem otimismo quanto a minha preguiça orgânica de traçar roteiros. Mas eu me pego em situações ridículas, tipo escutando Arrested Development no carro e lembrando de Los Angeles em 1992, quando os negros decidiram tomar seu espaço e eu decidi comprar esse CD, meu primeiro CD. LA foi uma experiência incrível na minha existência, conjugou um monte de primeiras vezes: a primeira viagem internacional (fronteira Brasil/Argentina não conta), primeiro avião que não era da FAB, primeira montanha-russa com looping, primeiro filme em inglês sem legenda, primeira embalagem tamanho família de shampoo, só para mim. E ainda fui testemunha do racial riot que entrou para a história. Rodney King, lembram disso? Eu era muito pirralha para perceber o tamanho do que estava vivendo e estava infinitamente mais preocupada em descobrir o rap e o movimento hip hop que começava a estourar por lá e em tomar sorvete de vanilla no Thriftys perto de casa. O porém é que estava lá, como estive em muitos outros lugares incríveis e improváveis e todo setembro eu fico olhando para trás e tentando olhar para frente porque o mês de outubro é o primeiro do meu ano-novo e é sempre cheio de atividades que exigem um dispêndio enorme de dinheiro e energia, das eleições aos shows e mostras de cinema.
Trilha sonora do dia: I´m a slut (BiS), I´m no good (Amy) Pensamento do dia: eu amo embalagens Tetrapack Desejo do dia: criadagem Bisonho do dia: saber por uma revista que a menina que me hospedou em Maui, Hawaii, tremenda surfista, está casada com um holandês. O que significa que ela terminou com um amigo do amigo (superelevante) Etiquetas: selvagens egotrip
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