17.9.06

Medo do Visconde de Sabugosa

Se eu tivesse de atribuir a alguém uma grande influência na minha vida, este seria Monteiro Lobato. No contato com sua obra, ainda muito menina, descobri a magia das letras, o que me levou, anos depois, aos bancos da escola de Jornalismo. Hoje não vivo das letras (elas já foram um ganha-pão), mas elas vivem em mim da mesma maneira.
Mais que isso, Monteiro Lobato foi o sujeito responsável por períodos de terror em minha infância. Não me refiro a Cuca, a jacaré malévola do Sítio do Pica-Pau (em dias de globalização seria Sítio do Picachu), mas ao Visconde de Sabugosa. Eu nutria uma grande admiração pelo Visconde de Sabugosa, porque ele era um milho culto, estudado, muito sábio. Por outro lado, ele também me assustava muito, justamente porque era um sabugo de milho, com óculos e um chapéu cartola, que vivia em uma estante! Como assim um milho que vive em uma estante, em meio a livros? É uma coisa assustadora, pensar que aquele sabugo do seu prato um dia ganha vida e vai viver na sua estante, lendo os seus livros?
Eu tinha medo do Visconde de Sabugosa. E deve ser por isso que às vezes tenho medo de alguns intelectuais, quando vejo suas fotos estranhas em coleções como “Os pensadores”...
Mas, como diz um amigo infame e publicitário (ops, redundante), o pior é pensar que se o Visconde de Sabugosa esquentasse a cachola, virava pipoca! Socorro.

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