11.3.07

pela desordem e pela relativização cultural

Eu tenho buscado a alienação. Para quem leu O Capital na íntegra e foi aluna do Chico de Oliveira, com mérito (modéstia passou longe), isso é como me auto-apunhalar pelas costas. Mas, diante de tantas violações a que me submeti, foi a saída mais fácil que encontrei para não terminar no Pinel, conversando com a parede. Alienada, porém sã.
Estava indo bem nessa minha tarefa de não me envolver, mais
popularmente conhecida como apertar o “f....-se”, mas tive uma recaída séria esses dias. Não consegui ficar imune a algumas opiniões favoráveis ao Bush (em vermelho, publicadas em www.caldinas.blogspot.com) e faço aqui a réplica pública:

Acho que as guerras do Afeganistão e do Iraque foram conduzidas do modo errado mas não sou ideologicamente contra ambas. Quanto à primeira não há muito o que falar, mas minha defesa da invasão do Iraque se dá por 3 pontos: 1) Saddam Hussein era um ditador cruel, e no caso de ditaduras essa coisa de autodeterminação dos povos não cola. 2) Não acredito na relativização cultura. Há coisas que são superiores a outras, e a democracia é superior à regimes ditatoriais. 3) Acredito que o Iraque colherá benefícios disso tudo a longo-prazo.

1) Realmente, o Bush invadiu o Iraque porque queria defender a democracia...Essa é uma das coisas mais espirituosas que li nos últimos tempos. O Bush invadiu o Iraque porque tem interesses econômicos na região (o ouro negro, mais especificamente) e só. Enforcar o Saddam foi uma tentativa de convencer a opinião pública de que as razões eram políticas. Bobagem. O Saddam só teve o poder que teve porque os EUA o ajudaram (e muito). E, se os EUA estão tão interessados na democracia mundial, por que não declaram guerra à China, conhecidamente uma ditadura há décadas?

2) O raciocínio de que algumas coisas são superiores a outras é o que legitima regimes de exceção e guerras: assim pensava a Igreja na Idade Média, assim pensavam Hitler e Mussolini e Franco, assim pensavam os militares latino-americanos que instauraram as ditaduras, assim...E pensando assim, daqui a pouco os EUA invadem a Venezuela com a justificativa de proteger os venezuelanos do Chavez, aquele crápula...
A ditadura política certamente não é a melhor forma de governo, especialmente pela violação aos direitos humanos, mas a democracia também pode não ser a melhor alternativa para todos os países. Independente disso, existem fóruns específicos para se questionar os regimes de exceção e seu ônus para as populações a eles submetidas. Não é no campo de batalha, às custas das vidas de inocentes, que se questiona uma ditadura.
Fora isso, ditadura por ditadura, o que dizer da ditadura do mercado, que só contribui para que morramos todos fritos nos próximos anos?

* E sim, caso o Irã não breque seu programa nuclear JÁ, acho sim que uma guerra contra esse país é uma alternativa viável para a manutenção da ordem (ao menos do ponto de vista do ocidente, do qual faço parte).

Manutenção da ordem também foi a justificativa do Getúlio quando deu o golpe, do Mao Tse Tung, do Hitler, dos missionários...fogueira para os desobedientes!

Há, no mínimo, uma grande incongruência no ato de defender a democracia e uma guerra contra países que não seguem as determinações dos EUA, o juiz do mundo. A democracia implica, em sua essência, a garantia da liberdade de expressão e ação.

No mais, não posso me sentir mais ameaçada com o Irã e suas bombas nucleares do que com os EUA e suas bombas nucleares. Onde quer que se aperte o botão, vamos morrer todos cozidos!
Tampouco me preocupa a manutenção da ordem no Ocidente, pois, independente da latitude e longitude, eu vivo no mundo.

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