28.3.07

Los amigos en la playa - protetor assassino

Para quem não tem casa de praia, vive na cidade cinza e impiedosamente quente e acredita na natureza, como nós, passar o fim-de-semana no litoral é como achar dinheiro na rua. A gente se esfalfa, faz castelinho, dá cambalhota no buraco entre dois bancos d´areia. E paga mico, óbvio.

Para começar, a gente não sabe usar protetor solar direito. Na verdade, a gente nem tem protetor. Por isso, usamos o da nossa amiga rica, cheia de contatos extraordinários e informações privilegiadas, como as ações da Ipiranga pré-venda. Sendo ela rica, o protetor é alemão, sem legenda. E a gente espalha o protetor e fica fritando no sol, achando que está tudo bem, afinal se o protetor salva a pele do alemão, por que não salvaria a nossa? Porque o protetor é assassino, é tão bom que tem cheiro de álcool e quando a gente volta da praia, depois de 5 horas, percebemos que estamos parecendo guaxinins, com manchas brancas e vermelhas. É, não fica bonito.

Mas a gente não liga e se acha bacana, afinal temos amigos que vão para a praia de chapelão cubano, levando a tiracolo um segurança paraguayo, de bigode e cabelo Jesus (aquele comprido e sem corte).

Mais que isso, por causa da nossa amiga rica, fizemos outros amigos ricos e muito legais e somos convidados para o casamento deles na praia. E não é em uma praia qualquer, é numa praia bacana, com casas modernas feitas por arquitetos famosos, com famílias felizes e belas na areia.

E nos vestimos de maneira elegante, para ir ao casamento dos amigos e encontrar outros amigos e pagar mais mico na pista de dança. Inclusive, um de nós pagou mico no laguinho em frente ao local do casamento, assim na saída: não viu o laguinho e acabou comendo sapo.

Nós também comemos camarões graúdos e às vezes brigamos com o ambulante do queijo coalho, mas só quando estamos com fome.

Como somos da paz, não arrumamos encrenca, mas tem gente que quer arrumar encrenca com a gente e nem percebe o perigo de tirar onda com uma das nossas amigas (no caso, a maior) bem no meio da nossa roda.

Como somos intelectuais, também discutimos assuntos sérios, como a manipulação das estatísticas sobre suicídio no Brasil (tá, isso é mentira, só um de nós acredita nisso e fica tentando convencer os outros). E, como há muitos cultos entre nós, aprendemos coisas novas, como por exemplo o fato de Assis Valente ter tentado suicídio 9 vezes por causa da Carmem Miranda. Na nona vez ele morreu.

Um de nós estava com tanta sorte que adivinhou a sobremesa e ainda encontrou ouro no meio do mato. Mas só porque garimpou em serra pelada. Já outro não estava com tanta sorte assim e saiu da festa sem ver os bem-casados.

Mas tudo acaba, depois de tantas aventuras no litoral, nós pegamos três horas de trânsito na rodovia, porque nós não sabemos o horário certo para voltar para casa. E, para piorar, estávamos de ressaca.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

noinha :)

29/3/07 00:24  
Anonymous Dalai said...

Flor,
Quase morro de rir,voc~e é genial. Beijos, J

12/4/07 12:49  

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