7.11.07

Carta

Caro Rodrigo Guedes de Carvalho,

Eu tenho inveja das tuas palavras, dessas malditas palavras bem-articuladas, que expressam tudo o que sinto e não consigo reproduzir. Queria assassiná-las, as tuas palavras, a tua poética prosa que não me deixa dormir, que me suga toda a energia.

Tenho inveja como tenho de outros, daquele cujo livro perdi ou emprestei, não sei ao certo, do outro que ficou comigo na estante, ao término de uma relação que nem chegou a ser. Porque eu não sei não ser clichê, não sei dizer como tu sabes, da dor e da verdade disso que sentimos, quando enlouquecemos aos bocados, quando enfrentamos nosso próprio fim e nos colocamos a pensar em tudo o que deixaremos no caminho.

Eu queria também saber manejá-las, sem precisar consultar os índices para confirmar sua existência, sua grafia. Gostava de saber, como dizes em tua língua, gostava de saber falar do amor como tu, como Ian, como Murakami. Essa forma delicada de expor aquilo que é tão primitivo em nós, que provoca tantas dores e exige tanto. Gostava mesmo de saber escrever.

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