17.10.07

surtinhos pós trip

Imediatamente após fazer uma piadinha irônica, minha especialidade, eu me envergonho pelo prazer que sinto em deixar determinadas pessoas constrangidas. Não sei onde aprendi esse tipo de coisa, mas é muito feio.

Recuerdos. Eu tava sentindo falta coisa nenhuma do trânsito de São Paulo. Mas o sotaque com pan en la boca me ajudou a enfrentar as dez quadras e uma hora que me separavam das minhas fotos. Não bastasse eu ainda ser uma pessoa old school em termos de fotografia (leia-se: eu gasto muito dinheiro com filmes e revelações e não tenho máquina digital por princípio) eu sou praticamente monotemática. Apenas por variações de luz e ângulo, meu objeto do desejo é a arquitetura. É que minhas fotos não têm gente, só cenários. E daí eu reparei que a Espanha é muito mais árabe do que eu tinha notado e Praga não ficou tão bem sob minhas lentes quanto sob meus olhos.

E no que fui organizar as fotos, acabei encontrando meu passado de contos e poemas. Decidi que vou publicá-los aqui, mas aos poucos é que para meus dois leitores não vomitarem e ficarem com medo de mim.

Hangover forever. Estou adorando a ressaca pós-viagem, porque eu fico sonhando que ainda não estou aqui, as pessoas dizem que estou com uma “cara ótima” e, como sempre, estou viciada em uma banda que descobri em outro país e fico fazendo trilhas sonoras de filmes surreais com suas músicas. Mas o melhor é que não consigo me preocupar com nada, não quero discutir nenhum assunto dito relevante, não estou interessada no line up do TIM festival, nem na pilha de pratos na cozinha (essa frase não é minha), nem no fato de que não há alimento em minha casa, apenas o meu ketchup de estimação na geladeira.

Quero casar com esses caras. O melhor das letras do Estopa é que eles só falam de amores loucos que deixaram saudades, de fumar marijuana e encher a cara para esquecer. E tudo isso em espanhol e catalão. Amo.

Injustiça. E aí vem o meu amigo que, depois de viajar por dois anos, está triste porque “é muito difícil voltar”. Se é difícil voltar para Milão, imagina para São Paulo.

Procura-se. Lar no Raval ou em Malá Strana. Aceitamos ofertas em Montparnasse também.

Free advising. Beber absinto sem comer dá uma baita dor de estômago.
Nunca fique amiga de um cidadão que está servindo no Iraque e é do US Army. Você corre o risco de acordar com fortes chacoalhões depois de uma noite insana só porque está tossindo e ele acha que você está com pneumonia e quer te levar para um hospital checo. É, aconteceu comigo.

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