26.7.06

Amor, é impossível

O exercício do amor, esse sublime e por vezes farto, dolorido. É um entregar-se sem obrigação, por puro deleite, pelo prazer no outro e depois em si. Ainda há pouco, o amor não cabia em burocracias, seu lugar poesia. Não raciocinava matematicamente, o amor demente, entredentes. O amor está fora de moda. Não convém em tempos capitalistas, de perdas e ganhos calculados. Porque a ele não é permitido o cálculo. O amor, de verdade, é o domínio da libertação, pontas de pés descalços tocando a água. Brisa suave ou furacão, o início e dedicar-se diário. O amor exige acima de todos os cérebros. Não sabe o que é o amor quem não se abandona ao seu doce sabor. Não é compromisso, é desejo. Por isso o amor está fora de moda. Não há lugar nas agendas ocupadas para tamanho delírio irresponsável, que tanta responsabilidade exige. Sair de si não é mais possível. Por isso, além de fora de moda, o amor tornou-se impossível.

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